sábado, dezembro 08, 2007

(Foto de Eva Green-Alterada)
Kara e Jan Kmam
Por
Nazarethe Fonseca

Todos os direitos reservados a Autora®

Capítulo V- Escolhas do Coração

Três noites mais tarde Jan deixou Kara buscar alimento na Rua Galande, sentia-se seguro sabendo que Marques a vigiava. Seus passos os guiaram para perto das animadas “tavernas”,pelo menos era assim séculos atrás.Um pouco depois de alimentar-se sentiu-se seguido por um conhecido, um amigo de caminhadas e aventuras, Bruce. O vampiro se aproximou na rua movimentada e logo estava caminhando ao seu lado como há anos atrás fizeram por um curto período de tempo.
-Soube a poucos dias que estava vivo.
O vampiro falou fitando Jan Kmam sem esconder sua alegria, e contentamento. Ele, assim como todo do mundo vampiro, acreditou que Jan Kmam houvesse sucumbido há um século atrás sob a força do fogo.
-Ariel foi o portador de tão encantadora notícia. -falou e parou no meio da rua, esperando por seus movimentos.
-O rei passou um comunicado há quatro anos, onde estava?
-Recluso em Veneza, na verdade, dormindo. -disse com os olhos brilhando, atentos, por fim sorriu encantado. Os lábios sedosos cheios de vida,alimentara-se a poucos minutos. -Ariel conseguiu me desperta com tão alegre notícia...Por favor, deixe-me abraçá-lo.-pediu com os olho febris.
Jan Kmam parou e abriu os braços em sua direção. Ele o abraçou-o forte e antes que pudesse fugir beijou sua face. Jan apertou-lhe o ombro sorrindo de seu gesto desmedido, apaixonado. Conseguiram uma mesa numa das tavernas próximas e logo estávamos servidos de vinho e conversando sobre os velhos tempos. Havia uma divida um século atrás ele salvou-lhe a vida, não podia negar atenção a Bruce, alguns minutos não faria mal. Os traços de Irlandês estavam evidentes, não dava para fugir, mas este talvez fosse seu encanto. O cabelo cacheado, castanho muito claro, como os olhos, fingia sorver o vinho os olhos fixos no amigo. Jan notou e ergueu um brinde e ele aceitou:
-Aos velhos tempos.
-A força de sua imortalidade.
-Então esteve com Ariel em Veneza?-Jan disse mudando o rumo da conversa rapidamente.
-Sim, Ariel permite que fique no palazzo, isolar-me um pouco, lá é o lugar certo para isso. Mas quando Ariel me deu a boa nova resolvi ver pessoalmente.
-Alegro-me também em vê-lo, Bruce.
-Ainda na velha mansão...?-quis saber e se corrigiu.-Que tolice a minha Gustave a vendeu dois anos depois que “morreu”.
-Eu soube, Otávio me contou.-revelei sem pesar.-Mas o que tem feito Bruce?
-Lamentado seu desaparecimento, acompanhei Ariel e duas viagens e me refugiei em Veneza, arranjei mais confusão do que pude lidar.Fiquei lá alguns anos e assisti a queda de Lothar de camarote.
-Lothar caiu em desgraça?-Jan semicerrou os olhos nada surpreso.
-Sim, após matar sua pupila, foi duramente castigado por Ariel. Mas acredito que a Caixa é nada comparado aos seus crimes... -comentou pensativo, tristonho.
-Como alguém pode suportá-lo, me pergunto. -Jan divagou debaixo do olhar sombrio e reflexivo de Bruce que por alguns minutos perdeu toda a alegria.
-Ariel cuidou dele pessoalmente. -Mas e você, como está? Soube que perdeu sua amante no incêndio. –ele buscava respostas para suas duvidas.
-Jamais a perdi, hoje posso compreender isso. A reencontrei. -Jan afirmou vendo o brilho da desilusão e tristeza no olhar de Bruce. -Estamos finalmente juntos.
-Então Ariel não mentiu. -Bruce revelou mergulhando em pensamentos que não ousou revelar,mas estava estampado em seu rosto que omitia algo.
-De certo, que o rei não mentiria.
A tristeza estava estampada na face de Bruce, que esperava encontrar Jan Kmam só e tentar mais uma vez permanecer ao meu lado.
-Caminhe comigo, este lugar se torna opressivo. -Bruce queixou-se um tanto perturbado.
Jan Kmam pagou a conta e logo estavam novamente caminhando pelas ruas sem rumo certo. Logo estava em uma praça deserta e lá se acomodaram num banco.
-O rei já viu sua escolhida?-Bruce ergueu as sobrancelhas de modo frio.
-Conhece as leis tanto quanto eu, Bruce, quantos séculos arrasta sobre estes ombros? Quinhentos?-brincou rindo de sua pergunta no mínimo “estranha”.
-Quinhentos e cinqüenta. Mas sinto-me como a cavalaria: “sempre atrasada”. - afirmou sem medo de demonstrar o que sentia.-Quando soube que estava vivo isso me alegrou, mas não acalmou meu coração...
-Bruce...-Jan o censurou de imediato.
-Está feliz ao lado dela?-Bruce perguntou decidido, forte.
-Sim, Bruce muito feliz, e desejo que encontre tal felicidade.Você precisa amar alguém que o ame.-Jan continuou a falar com muita segurança.Apesar de haver desconforto e exasperação na voz.
-Eu o amo, sabe disso Jan Kmam. –Bruce afirmou seu medo.
-Não posso corresponder a seu amor, jamais pude, compreenda. –Jan respondeu suave. -Estou do lado da vampira que amo e amarei até o fim dos tempos.
-Ela o faz feliz Jan Kmam?-o vampiro de olhos cor de mel perguntou sério, enquanto apertava o cabo da bengala que usava, mas por estilo que necessidade.
-Kara me faz muito feliz, sem ela não sei viver dentro da imortalidade. Nós nos amamos Bruce, compreenda... -responde educadamente, pois não desejava ferir o coração do vampiro que salvou-lhe a vida.
-Já basta.-Bruce pediu sofrendo.-Posso compreender que o perdi...Já vi a dor que sinto agora refletida em olhos como os nosso por diversas vezes,até mesmo, nos olhos do rei Ariel Simon ao perder a vampira que julgava ser sua alma prometida.Só não quero ver está dor novamente refletida dentro de seus belos olhos azuis, meu amor.
-Contenha-se Bruce,ou terei de partir. Quero que saiba que jamais me perdera como amigo.
-Por isso o amo. -divagou orgulhoso. -Está força, sua decisão... -calou-se ao vê-lo erguer o queixo incitado, mas permaneceu sentado.
Era o momento de partir, Bruce excedia o limite. Séculos atrás ele declarou seu amor e Jan declinou. As mulheres sempre o seduziram. Podia convidar um belo jovem, beijá-lo,afinal,buscava alimentar-se, mas jamais buscaria um companheiro. Otávio sempre foi o mestre, o pai, o irmão. O seu desejo de vampiro era alimentado por uma mulher, uma vampira. Era na curva de um belo par de seios, que apreciava mergulhar. Bruce não se levantou, simplesmente ergueu o cálice de vinho num brinde.
-Nada pode mudar o que sinto, hoje só tenho motivos para comemorar, você vive, meu querido, amigo.-frizou.
Jan Kmam inclinei-se agradecendo a lisonja e antes que partisse ele segurou sua mão e falou seriamente:
-Jamais o terei, contudo zelarei por sua felicidade, este será o melhor modo de dizer o quanto o amo. -falou sem medo. - É imperativo que saiba de Veneza, sobre Ariel, guardo um segredo antigo... -ele estava realmente nervoso. -Dê-me algum tempo de seu tempo Jan Kmam.-pediu .-É muito importante não, estou aqui por acaso. Na verdade, minha vida vai valer bem pouco para o rei, depois de revelar o que escondo há séculos.
-Não disponho de tempo Bruce.-Jan disse puxando a mão suavemente.
-O que vou lhe revelar vai salvar sua pupila, a se mesmo. -disse soltando a mão de Jan.- São apenas uns poucos minutos dentro de uma eternidade. Afinal em nosso mundo tudo beira o crime e a punição.
-Do que está falando?
-Do seu futuro, ele corre perigo.
-Vá direto ao ponto. -Jan insistiu perdendo a paciência.
-Estou falando do passado do rei e de Blanca,a pupila de Lothar.Você precisa saber a verdade agora.-insistiu e seus caninos surgiram entre os lábios.
Jan Kmam sentou novamente e resolveu ouvi-lo, ele sempre foi honesto jamais mentiu. Vinte minutos foi tudo que ele conseguiu suportar ouvir entre a incredulidade e a irá. Antes que pudesse se conter Jan o segurava pela garganta, e o socou jogando ao chão.
-São mentiras, mentiras sórdidas!-Jan rugia, transformado. -Não ouse se aproximar de mim novamente, pois o matarei.
Bruce não ousou segui-lo.


SEGUNDA PARTE

Jan Kmam estava confuso, mudo, havia um nó na garganta. Tentou esquecer tudo que ouviu, mas as palavras de Bruce eram como gritos em sua mente, forte demais para serem silenciados. Não!...Ao seu redor à noite parecia fechar-se opressiva,o peito doeu,era seu coração sangrando. O desejou ardentemente ver a face da amante, talvez ela lhe trouxesse alguma lucidez... A ouviu, seu coração bateu próximo, seu cheiro encheu o ar à volta. A voz de Bruce emudeceu,sumiu a luz do olhar de Kara o salvou das trevas, acalmou seu desespero.
-Advinha quem é?-Kara disse ficando na ponta dos pés para conseguir cobrir seus olhos.
-Não sei. -Jan murmurou entrando em seu jogo bobo, mas doce, inocente, que adorava participar como se fossem mortais, como se nada fosse tocá-los.
-Use seus poderes. -ela sugeriu num sussurro morno. -Vamos, advinha. -cochichou junto ao seu ouvido.
-Basta sentir o cheiro de rosa que vem de suas mãos.
Dizendo isso a Jan Kmam a puxou para seus braços com mais força do que pretendia e a cheirou, e sentiu como se mergulhasse num buquê de rosas.A beijou longamente e esqueceu as revelações,as mentiras sórdidas de Bruce,desejou matá-lo e talvez o fizesse na noite seguinte, o que ele pretendia?! O enlouquecer, destruir sua felicidade? Não! Não agora.
-Jan...?Ahh! Está me machucando... O que foi?Aconteceu alguma coisa...?-murmurei sentindo seu corpo contraído, tenso.
Segurei seu rosto entre as mãos e fitei os olhos escuros, cheios de frustração.
-Vamos para casa?
-E a aula com Togo?
-Deixemos para amanhã. –Jan estava abatido.
-Não é justo, assim jamais o verei.-reclamei,batendo o pé.
-Estou sem ânimo, perdoe-me quero voltar para casa...-precisava conter-se ou ela notaria, nada escapava aos seus olhos negros.
-Tudo bem meu amor.-disse preocupada.
No caminho de volta Jan Kmam caminhou em silêncio absoluto, perdido em pensamentos, nos problemas que comigo não ousava dividir. Não fiz perguntas, ele não responderia, não agora estava sobrecarregado com o peso de sua nova inquietação. Teria acontecido algo a Togo? O que o perturbava, tirava-lhe a alegria? Seus olhos estavam distantes, o modo como segurava minha mão. Encostei a cabeça no seu ombro e apenas o segui. Destrancou a porta do apartamento e vagou pela sala, enquanto eu acendia as luzes, foi para o aparelho de som e ligou. A música encheu e não demorou muito para que me puxasse para seus braços. O abracei e senti sua tristeza, assim ficamos por longos minutos. Ele só desejava me ter em seus braços, beijar-me lentamente, abraçar meu corpo junto ao seu tocar meus cabelos. Movia-se devagar, e por um momento o sentir estremecer.
-O que você tem meu querido?-perguntei segurando seu rosto entre as mãos. -Fale comigo, eu posso escutar...
-Apenas... Diga que me ama Kara.-pediu manso, rosto colado no meu.
-É claro que te amo...
-Diga. -pediu sério, carinhoso.
-Eu te amo Jan Kmam.
Imediatamente ele me envolveu em seus braços e beijou-me com ímpeto. E quando libertou meus lábios murmurou baixinho:
-Eu preciso de você para continuar, saber que me ama que vai ficar comigo... - disse tocando meu rosto. -Prometa que jamais vai me deixar, prometa. -insistiu olhando nos meus olhos.
-Jamais vou deixá-lo,estamos juntos.-gemi beijando-o de modo sôfrego, apaixonado. -Prometo jamais te deixar, mesmo que me mande embora, mesmo que disso dependa minha vida. -falei sem saber porque.-Está conversa está me assustando, o que está acontecendo, diga? -murmurei por fim.
-Estou inseguro, subitamente tenho medo de perder tudo.
-Não fale assim você me deixa confusa, temerosa.
-Sei como resolver isso. -me tomou nos braços e levou-me para o quarto, a cama. -Onde estamos Kara?-perguntou deitando-me no leito e se ajeitou sobre meu corpo.
-No quarto.-respondi jogando seu jogo, percebendo que ardia de desejo.
-Onde está o quarto?-quis saber buscando minha boca com os dedos suavemente.
-Dentro de nosso mundo. E aqui nada nos toca, ou fere, aqui só existe eu e você.E o tempo nos pertence, pois somos imortais.-gemi o puxando com carinho.
-Sim, sim.É assim que será, pois pertencemos um ao outro e nada nem ninguém vai nos separar.-afirmou beijando-me ávido.
-Nem homem ou vampiro. -brinquei fazendo-o me fitar alerta como se temesse minhas palavras.
Ficamos por horas entre beijos, abraço, carícias, sussurros, juras de amor e quando a manhã ele me abraçou junto a ele e assim dormimos. Ele não revelou o motivo de seu estranho comportamento naquela noite, ou porque desistiu das aulas com Togo.E passamos a viver quase isolados, até mesmo as visitas de Otávio tornaram-se mais escassas.Jan Kmam parecia manter-me longe de todos, mas estranhamente alerta a tudo a minha volta.
Impaciente, irritado, às vezes saia e só voltava na madrugada. Geralmente pensativo, com um perfume feminino em sua camisa, provavelmente de sua vitima. Nesses momentos evitava pensar como uma mortal desconfiada, que buscarias seus bolsos, marcas de batom. Afinal, o tinha por inteiro. Mas eu realmente só notei que havia algo errado quando Bruce surgiu.

Continua...
Cena do próximo capítulo...
Jan Kmam passou pelo portão e pegou a chave debaixo do gnomo e entrou. Nesse momento Bruce conteve Kara,pois ela queria grudar-se as janelas. Uma jovem mulher apareceu no quarto e logo depois dela Jan Kmam. Mas antes que chegasse a cama ele a conteve, a abraçou e beijou. Meu coração parou de bater, não conseguia mover-me.
-Kara Acalme-se!-Bruce pediu,enquanto a via quebrar tudo a sua volta completamente enfurecida.

5 comentários:

Telma disse...

Menina o que foi esse capítulo? Ameeeei!!!!! Agora sim, posso começar a entender o aparecimento dessa pessoa desagradável chamada Alma na história de Jan e Kara. risos. Adorei, e agora nosso Jan vai começar a aprender a não trair a Kara e a nós tb. Amei,Nazarethe.Estou super ansiosa pela continuação. Não libera 1capítulo por semana, não. Tenha pena de nós pobres mortais que já estamos por muito tempo sem as suas histórias, tá?!? bjs, Telma

Erika disse...

Naza minha prima tô revoltadíssima com essa Alma miserável!! (risos) O que é que essa maluca tinha que fazer aí no meio de Jan e Kara?? Tô amando os capítulos, tomara que Kara pegue essa Alma de jeito!! rsrs bjuuuuu

Lusy Yoruichi disse...

como assim?!

o.O
QUe papo é esse de colher duas rosas? ¬¬

AAAAAAAAAHHHHHH
esse kmam como pôde? =\\
tra\ir a \kar\\a..
naaao...

eu pensei que ele prestasse..
=~~~~~~~~~~~


Aaaaaaaaaaahhhhh eu preciso ter esse livro por completo...

Viviane disse...

Esse capítulo realmente foi demais!!! Só queria que você nos contasse o que foi que o Bruce contou ao Jan que o deixou tão transtornado, tão receoso! Putz já não bastasse a Alma entre Jan e Kara, agora me aparece esse vampiro apaixonado pelo Jan, que é isso? rsrsrsrs... E vampiro apaixonado sabe como é né???? Vai aproveitar que Jan está jogando água fora da bacia e vai querer dar uma de "amigo" e ver se consegue separar os dois.... Não estou me aguentando para ler o próximo capítulo, um por semana é tempo demais Nazarethe, please!!! Você continua afiadíssima, meus parabéns!

Gi-Chan ^-^ disse...

(risos malignos de vilão de filme de terror)
Agora sim o kjan² vai ver o q é bom para tosse!
qm mandou ele traiar a kara? Td bem q sempre tive inveja dela.. mas... voltando ao assunto.. Agora ele vai sofrer!!!
Espero eu pelo menos... Adorei esse Bruce *.*
Pricipalmente por ele judiar do jan² depois de eu saber q o jan² está traindo a kara...
Dá-lhe Bruce², Dá-lhe Kara!!!!!
bom... não preciso nem dizer q estou extremamente (só isso?) ansiosa para o próximo capítulo, né???
Bom... Espero extremamente ansiosa pelo próximo capítulo...
E espero q a alma acabe morrendo.. (assim, sem querer, sabe? Tipo.. acindentalmente a kara vai enfiar um poste atravessando o pescoço dela... mas, puro acidente...)
E q a kara maltrate bastante o jan²
Dessa vez ele merece...
Bom., como sempre eu já falei demais... Então.. eu vou indo...
Beijos Nazarethe!!!
Sou sua fã!!!!