sábado, dezembro 15, 2007



(Montmartre Brumas)
Kara e Jan Kmam
Por
Nazarethe Fonseca
Todos os direitos reservados a Autora®

Capítulo VI – Corações Partidos.



Tenho certeza, foram dois meses depois da queda. Caminhava pelo La Vallée outlet shopping um aglomerado de lojas para todos os gostos, meu local favorito para fazer compras. Afinal encontrava Kenzo, Mariella Burani, Tommy Hilfiger, Armani, Blanc Bleu, Versace, Cacharel, Ferre e por trinta por cento mais baratas que nas lojas tradicionais. Algo que não recusava, Jan deixava-me a vontade para gastar quanto quisesse, dinheiro não era problema,mas estranhamente gostava de economizar. Tinha destino certo a Calvin Klein estava precisando de lingerie. Havia me alimentado cedo, fiz uma maquiagem leve, afinal às vendedoras são muito observadoras. Sequer sai da primeira loja senti uma tontura. Toquei a cabeça e busquei o motivo, nenhum aparente.
Andei alguns metros e senti outra mais forte. Esta me fez recostar à parede de uma loja, arquejei sem ar, enquanto imagens tomavam minha mente,meus olhos, minha mente.
“Via-me correndo em fuga pela rua escura,descalça,estava apavorada, podia sentir a seda negra do meu vestido pesando, os cabelos soltando-se do penteado. O rosto ferido, o ventre dolorido, sangrento. Nesse momento senti um forte golpe sobre os ombros. O vampiro de cabelos lisos e negros, os olhos escuros, traços cruéis e face demoníaca atacavam-me com extrema violência. Ele me fez fitar sua face segurando-me pelos cabelos, enquanto gritava. Era arrastada por ele enquanto suplicava por minha vida. Fui encapuzada e posta dentro de um saco sem cuidado algum. Sentia o corpo ferido, fraco. Uma hora depois fui retirada da carruagem, a essa altura já podia sentir o cheiro do mar, o som das ondas.O saco foi lançado sobre a areia úmida sem cuidado algum, a estopa suja foi rasgada com uma faca que feriu meu ombro...”
Sem que desejasse, chamei a atenção de um homem que saia da loja onde estava parada. Andei cambaleante e tentei atravessar a rua estreita. Toquei a cabeça, ela latejava, doía. Meus olhos deveriam estar dilatados. A visão prosseguia sem que pudesse deter sua força...
“O capuz cobrindo minha face me sufocava deixando-me a mercê do vampiro, minha agonia era tremenda. Finalmente quando o capuz foi retirado vi a escuridão do mar às ondas batendo em meus pés. Fui empurrada ao chão, a água salgada atingiu meu rosto ferido. Tentei correr e novamente,mas dois vampiros surgiram e me cercaram fui espancada e levada para areia e presa sobre uma espécie de mastro.O vampiro que me capturou se aproximou,ele sorria de minha agonia.E mostrou-me um martelo e dois cravos.O som das marteladas tinindo em minha cabeça. Minhas mãos doíam...”
-Senhora...? -o homem que me viu vacilar próximo a loja me seguiu atento. -A senhora esta bem?
A essa altura segurava a cabeça com força e o martelo zunia em meus ouvidos. Senti sangue escorrer de meu nariz. O homem percebeu e me segurou pela cintura, e ele viu meu rosto, meus olhos, os caninos. A essa altura as pessoas nos cafés observavam a cena com interesse, o afastei, mas na verdade o joguei num empurrão violento para o outro lado da calçada. Sentado no chão, ele não conseguia desviar os olhos dos meus. Ajoelhada, com o cabelo cobrindo parte de minha face percebi que ele me via como vampira. Não foi uma das melhores coisas que já viu. A máscara da “falsa mortalidade” havia sumido, debaixo da dor que sentia. Enquanto buscava respirar, o coração doía. O sangue escorria de meu nariz, sobre os lábios.
-Deixe-a Thierry, não vê que é uma maldita viciada. -outro jovem surgiu e ajudou o homem caído no chão.
-Não, não, ela não é drogada. -o homem repetia, me olhando nos olhos completamente fascinado, confuso.
E somente com ajuda do amigo se, pois de pé.
-Chame a policia. -o jovem gritou para o amigo do outro lado da rua.
A essa altura havia me tornado o centro das atenções, todos me observavam caída e isso me aborreceu.Enquanto todos sussurravam levantando as mais diferentes hipóteses, e me dirigiam olhares cheios de nojo, desagrado, a rua se enchia de curiosos. Nas lojas próximas as pessoas olhavam através das vitrines. Minha cabeça parecia pronta a explodir, sabia que precisava sair dali, ou teria problemas. E sem que pudesse deter minha raiva ergui a cabeça e gritei, os espantando e conseqüentemente quebrando todas as vidraças da rua.
Uma chuva de cacos cobriu as pedras polidas, enquanto todos se abaixavam acreditando ser uma explosão. Um segundo depois os olhares aflitos, assustados buscavam-me no meio da rua e tudo que encontraram foi o vazio.
Refugiei-me no alto de um prédio e tentei compreender o que havia acontecido. Lembrei da face do vampiro e tive muito medo, quem seria ele. Seria alguém do passado, o futuro? O que fora aquela estranha visão. Seria comum? Normal sendo vampira ter tais visões. Jan jamais comentou ter algo assim... Senti sua presença e tentei fugir,mas ele estava muito perto. O cabo de minha espada estava à mão, a seu menor gesto de violência, agiria.
-Não tenha medo.- a voz do vampiro as minhas costas me fez recuar e esperar.
-Não estou com medo.-respondi realmente segura.
-Então qual o motivo de esta segurando o cabo de sua espada?
-Eu o conheço?-quis saber bancando a vampira inabalável. -O que deseja se aproximando?-perguntei esperando seus movimentos.
-Conversar. -o vampiro sugeriu despojado.
-Compre um papagaio. -Kara sugeri seca.
-Você é bastante insolente para os poucos anos de imortalidade que carrega. -ele disse provocador.
-E você bastante obtuso para os séculos que carrega,Bruce.-eu consegui captar seu nome por uma brecha de sua mente.
-Achei que fosse diferente,mas realmente me surpreende saber meu nome,ou tê-lo lido em minha mente. -começou Bruce.-Afinal, tem como mestre Jan Kmam,não podia ser diferente.-ele me avaliava,enquanto me rodeava a distância.-Você não mudou muito.
-Não pode me avaliar,não me conhece.
-Jan certa vez deixou que a visse,quando era cega.
-Jan certamente deixou que visse Thais,eu sou Kara,é diferente...
O vampiro gargalhou alto e tocou os cabelos de modo sensual.E fitou meu aborrecimento.
-Teimosa sei que é,tola jamais.
-O que deseja Bruce?
O vampiro caminhou até mim e por um momento acreditei que nada diria, pois fitou a rua metros abaixo e apontou algo.
-Veja,seu Sentinela.-ele riu.-É um dos melhores e agora compreendo o motivo.-ele falou com o dedo sobre os lábios sedosos cheios.-É uma perola muito rara e preciosa.
Ele estendeu a mão muito depressa e tocou meus lábios. Senti a carícia tarde demais para detê-lo, mas em retribuição coloquei a espada debaixo de seu queixo.
-Não ouse me tocar novamente.
Por alguns segundos pareceu somente pensar, hesitar. Por fim ergueu as mãos num gesto de que fora vencidos e recuou, numa clara demonstração de que se manteria distante. Mas ele não estava aborrecido, na verdade recebi um olhar atento, de certo modo, saudoso, terno. Subitamente o vampiro pareceu mais distante, a beleza do mortal que um dia Bruce possui, surgiu diante de meus olhos. Bruce não estava disposto a lutar, pude sentir que precisava me revelar algo importante. Então, quando falou novamente resolvi ouvi-lo:
-Conheço Jan Kmam- falou sincero.-Fomos apresentados na noite que se tornou favorito do rei. Chegamos a ser amigos, e quando ele foi dado como morto em 1872, estava na Itália. Soube do acontecido através de um conhecido em comum,o rei Ariel Simon,você o conhece?
-Não,não o conheço.Não é permitido.
-Vejo é que uma pupila aplicada.-brincou.-Confesso, fiquei entristecido.-Há alguns anos soube que ele havia reaparecido e vivia em Paris com uma jovem pupila. -parou por uns minutos. -Você certamente, Rose Blanche.-murmurou cordial me chamando de “rosa branca”.
-Por favor, me chame de Kara.-pedi observando semicerrar os olhos.
-Compreendo. -sopesou. -O visitei recentemente, na verdade saímos juntos, Kmam chegou a comentar?
-Jan Kmam tem muitos amigos, entretanto, conheço somente alguns deles. -afirmei realmente lembrando de algo parecido, talvez uma carta com o nome “Bruce” escrito em uma linda caligrafia. Voltei minha atenção ao vampiro e esperei que prosseguisse.
-Bem, Kmam me falou de sua presença na vida dele, dos tempos felizes que estava vivem depois de tudo. Mas não sonhei com apresentações, conhecendo Jan, imaginei que teria ciúmes.
-Deve saber que não é costume exibir vampiros recém gerados. -o lembrei.
-Conheço as leis, tão bem quanto conheço o temperamento de Jan Kmam. -murmurou sorrindo, mas não viu retribuição de minha parte. -Deve se perguntar por que a procurei. -ele estava ali com um objetivo.
-Prossiga. -fui dura como Jan Kmam me havia ensinado a ser com estranhos.
-Quero que veja algo. Ou melhor, alguém.Venha comigo.-convidou.
-Não é prudente e além do mais porque deveria confiar em você?
-Confia em Jan Kmam.Não é mesmo?
-Sim.-disse sem hesitar .-Ele é meu amante,meu mestre o vampiro que amo.
-Hoje você aprendera a confiar somente em si mesma.-Bruce afirmou sincero.-Apenas deixe que lhe mostre a verdade,que lhe dê a chance de fazer uma escolha.-ele falava por enigmas.

SEGUNDA PARTE

O segui, e certamente fiz algo condenável, ele poderia estar mentindo, e atacar-me, me ferir, era mais velho e poderoso. Mas precisava desmenti-lo, ri dele ou talvez simplesmente me deparar com a verdade. -Por quê?.-Talvez já houvesse percebido, ou simplesmente sentido com meu coração que ainda batia. O fato, é que, as palavras de Bruce me perturbaram, precisava ver com meus próprios olhos. Andávamos o tempo todo invisíveis aos olhos humanos, uma recomendação do vampiro, e quando paramos a casa simples e bonita surgiu. Notei o jardim bem cuidado, senti o cheiro da mortal, o sangue de seus dedos nos espinhos das rosas... Bruce tocou meu ombro e juntos, ocultos, esperamos algo que jamais imaginei ser possível.
Fui avisada pelo vampiro a manter a mente longe de Jan Kmam,era necessário,afinal ele estava se expondo a um grande risco.O desfecho de sua revelação poderia lhe custar a cabeça. Cinco minutos depois o vi chegar, era realmente Jan Kmam e a partir daquele momento tudo que desejava eram respostas.
Jan Kmam passou pelo portão tranqüilamente, não como o vampiro que se esgueira para pegar uma vitima,mas como alguém que já conhece a casa. Pegou a chave debaixo do gnomo e entrou. Nesse momento fui contida por Bruce,pois queria grudar-me nas janelas e ver o que se seguiria. O vampiro pediu que colocasse meus pés sobre os seus. Assim que o fiz,saímos do chão,na verdade, levitávamos dentro da escuridão. E ali no alto, curiosa e ao mesmo tempo fascinada com o poder apresentado por Bruce,esperei. Ele apenas me segurava junto a ele, enquanto esperávamos.
Uma jovem mulher apareceu, a cabeleira loira chamou minha atenção, o corpo sedutor, jovem. Jan Kmam surgiu atrás dela, na verdade ela o puxava pela mão, enquanto sorria, a acompanhar para o quarto.Em sua face desejo, fome, até mesmo carinho...Antes que chegassem a cama ele a conteve,a abraçou e beijou.Meu coração parou de bater,não conseguia respirar,mas ali no alto sustentada por Bruce senti meu corpo tremer.
O beijo longo, as carícias, o modo como a mortal cedia a Jan Kmam estava longe de ser somente sua “vitima”.Ela era algo mais, uma escrava de sangue, amante? Ele a despiu e um soluço magoado escapou de meus lábios. Bruce me segurou forte e quis afastar-se,mas não deixei:
“-Não!Deixe-me!Eu preciso ver.”-falei mentalmente.
Nua e lânguida, de pé a frente do vampiro ela esperou,enquanto ele a satisfazia,acariciando-a dando-lhe prazer. Mordida, os gestos carinhosos, a mão deslizando por sua cabeleira loira, sua face...O seu rosto!Toquei minha face e solucei novamente. Por um instante Jan Kmam parou, como se houvesse levado um puxão no corpo. Ergueu a cabeça, fitou o vazio além da janela. Mas a essa altura estávamos longe.
Bruce levou-me para um prédio abandonado a algumas quadras e me soltou, afinal o empurrava furiosa. Livre de suas mãos andei a esmo pelo quarto e por fim peguei uma das cadeiras e lancei sobre o velho guarda roupas a minha frente.
-Kara,acalme-se!-Bruce pediu, enquanto a via quebrar tudo a sua volta completamente enfurecida.
A vampira surgiu,Kara enfurecida, a libertou os olhos dilatados, as presas surgindo entre os lábios entreabertos. Por fim, a viu cair ao chão e soluçar. Bruce se aproximou e a tomou nos braços, Kara deixou-se ficar e por longos minutos apenas chorou sua dor. Não conseguia pensar em nada, só sentia o coração doer, como se nele houvessem cravado uma estaca. Subitamente empurrou Bruce e antes que ele pudesse detê-la Kara sumiu,saltou pela janela e desapareceu dentro da noite.

Continua...

Cena do próximo capítulo...

-Onde ela está?-Jan Kmam perguntou a Asti quase louco,enquanto Otávio apenas os observava mudo.
-A vi próximo ao Cemitério de Montmartre,mas ela não se deteve, sumiu diante dos meus olhos como se fosse uma vampira de quinhentos anos!-queixou-se,preocupada com Jan.-Nao consegui senti-la,seguir seus passos,sinto muito.O que aconteceu?
-Eu não sei.-ele realmente não supunha saber.-Ela simplesmente não voltou para casa,sumiu a três dias.-Jan Kmam andava de um lado a outro,estava na casa de Otávio.-Não consigo sentir sua presença...Ela não quer minha presença...Está fugindo de mim.-falou rouco pela agonia que sentia.

7 comentários:

Lusy Yoruichi disse...

bem feito pro jan =\

Poxa... estou triste com o jan..
=\

é um tanto compreensivel.. ma snao tanto.. =~

Espero que a kara nao apareça tão cedo!


Ai deus.. escreva kigi tidi i kuuuvriiii

U.U'
eheiuhui

Gi-Chan ^-^ disse...

Tome jan²...
Não simpatizei com o Bruce não. Mas, gostei de ele ter mostrado pra Kara essa loira aí... ¬¬ (não irei gastar minha saliva falando o nome dela. u.u)
E tomara q jan² aprenda á não sair por aí destratando aKara desse jeito!
Orgulho tem limite... Não é só pq ele é gost... Opa.... Bonito qele pode sair por aí traindo a Kara...
Dá-lhe Kara!!!!
Toma Jan²!!!!


Bom... deixa pra lá ^^V Ainda confio em vc Nazarethe ^^
Beijos!!!! o/

{Petite} disse...

lindooooooooooooooooo!!!!!!

\o/

adorei a parte q a kara grita no meio da rua!!! woooohooooww!! muito massa!! essas grandes cenas q vc escreve envolvendo muita gente, me fascinam!!!

e realmente, bem feito pro kmam!! uhauhauhauhauhauhauh!! tomara q ela fike longe muuuuito tempo!!

uhauhauuahuah!!1

Viviane disse...

Nazarethe, você realmente se supera a cada novo capítulo! O que será que a Kara tem hein? Esse mal estar... será que está grávida!!?? (brincadirinha!!!!) Bruce realmente é mui amigo não? Tão gente fina!!! Aparecendo para levar a Kara para ver o Jan com aquelazinha!!! Gente boa, digo, vampiro maneiro mesmo!!!! Esse Jan me decepcionou, agora vai ter que aguentar! Jan você agora vai amargar o que merece com o seu comportamento!!!! Só acho que a Kara não tinha que ter desaparecido não, ela tinha era que confrontar ele, exigir algumas explicações e por falar nisso, aonde ela se meteu? Esse sumiço dela vai deixar o Jan louco, mas ele merece... Mas não vejo a hora de Kara bater de frente com ele e jogar tudo que ela viu na face vampírica dele! rsrsrsrsrsrs
Estamos aguardando ansiosos o próximo capítulo! Aí você poderia nos dar de presente de Natal, os capítulos VII e VIII, que tal?
bjos!!

laryssa disse...

na verdade fiquei com pena de Kara pq ser traida por alguem q é uma copia sua é terrivel ainda mas qdo se tem uma personalidade igual a dela, axo q sair sem dizer nada foi mto legal e deu um ritmo melhor a historia, adoreiii bruce rsrsrs bjusss

Telma disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Telma disse...

Menina do meu coração, cadê o capítulo novo?!?!?! Você quer me matar de curiosidade? Estou super ansiosa. Adorei o capítulo anterior e não vejo a hora de ler o restante. Por favor, não demora. Feliz Natal e um excelente Ano Novo, com muitas novas e belas histórias para todos nós que adoramos você, Jan e Kara. bjs, Telma